Sunday, July 18, 2010

Diário de Amsterdam

Este último Amsterdam foi diferente. Trabalhei no café da manhã e depois não saí pra nenhum museu nem nenhum outro lugar interessante na cidade. Fiquei dentro do navio esperando a van da companhia chegar, e então de van fui até o aeroporto pegar meu avião back home. Conexão com Paris, depois 11 horas de vôo até rio de janeiro (ninguém merece 11h de vôo! Salve o PSP!), mais 1h30 até cwb e depois mais 3 horas de ônibus até minha cidade. Cheguei em casa de surpresa sábado de tarde, exausto da viagem, e assustei todo mundo com minha presença expontânea.
Faz mais de 1 mês que eu havia pedido sign off. Esse é o tempo que demora pra companhia ver um ticket aéreo pra mim e pra arranjar um substituto pra minha vaga. Não avisei ninguém, seguindo um ditado nipônico*, e a galera do navio mesmo só ficou sabendo uns 3 ou 4 dias antes do meu desembarque... Isaac Newton já dizia que só existe segredo entre 2 pessoas se uma delas estiver morta. Eu não posso matar ninguém, mas depois que o primeiro crew descobriu do meu sign off (viu meu papel preenchido na mesa do crew purser, lol) aí o navio todo ficou sabendo.
Agora só quero relaxar, dormir muito, ficar sem fazer a barba. Vou ler um dos meus 70 livros que comprei, vou ver muitos filmes que perdi de ver quando foram lançados, vou estudar idiomas pra melhorar minha comunicação e conseguir um contrato melhor numa companhia melhor. Trabalhar em restaurante de navio, nunca mais!
Aprendi muito, gostei muito do que fiz, mas existem vagas melhores dentro de um hotel flutuante...
Fiquei ao total 10 meses e 6 dias, e desses 10 salários que peguei, só vou voltar pra casa com uns 3 salário acho... Os outros 7 salários eu gastei com livros (mais de 70!), camisetas (mais de 90!), comida, taxi, souvenirs e itens de necessidade básica como coca-cola e bolacha...
No brasil eu antes trabalhava numas empresas que subsdiavam boa parte do vale-transporte e vale-alimentação. Aqui no navio eu ganho 100% de graça ticket aéreos, comida, água e luz. Internet pago caro, e roupa eu lavo de graça numas máquinas que tem aqui, mas mesmo assim preciso perder tempo indo lavar. Uniforme é só dar pros caras da laundry que eles lavam e passam de graça! Porque vou voltar a trabalhar no brasil? o.O

PS: Isso é um post programado.

*"A águia inteligente esconde suas garras"

Saturday, July 17, 2010

Bicicletas

Minha cidade no brasil se vangloria como sendo a cidade das bicicletas. Nunca teve nenhuma fábrica de bicicletas, nem ciclovias suficientes, mas este é um dos inúmeros títulos que minha cidade tem. Mas o dia que algum prefeito ou vereador vier pra europa, vai ver que minha cidade deveria ter vergonha de ostentar um título desses.
Amsterdam na Holanda (onde mais seria? dããã!) e Copenhagen na Dinamarca (de novo: dããã!) são cidades grandes, com mais de 1.5 milhões de habitantes em toda a região metropolitana, e mesmo assim bicicletas e meios de transportes coletivos (ônibus, trens, metrôs) são prioridades. A cada 3 minutos ou menos existe um novo ônibus ou trem indo pra onde você quer. Se você não quer ir de transporte coletivo, pode aluga uma bike em algum local especial para aluguel de bikes e você devolve a bike no destino final! Depois pega outra pra voltar de onde veio! Muito bom! E ainda existe outra opção individual que é a bike-taxi. Uma bike adaptada em um triciclo usa força motriz de um pedalador pra puxar atrás um ou dois passageiros, geralmente turistas. Igual uma charrete com um cavalo na frente, com a diferença de que não há o risco de um cago aparecer na frente... AUHAUhauaHAUhuAHUahua
Nas ruas, existem os prédios, e na frente deles existe a calçada pra pedestres. Depois existem nessa ordem uma calçada só pra bicicletas, uma rua estreitíssima pra carros, trilhos de uma rede ferroviária interna na cidade. Depois repete igual do outro lado da rua, com os trilhos sempre ficando no meio meiíssimo da rua. Muito perigoso e desafiador atravessar a rua, pois vocês precisa desviar de pedestres, bikes, carros, trens, trens, carros, bikes e pedestres de novo. Caótico, não? Não! Tudo é muito bem organizado, sincronizado e temporizado de modo que qualquer pedestre consiga atravessar qualquer rua de maneira fácil, sem precisar esperar muito tempo.
E o ticket de transporte coletivo que você compra vale por tempo, e não por distância ou por meio de transporte. Em Amsterdam, com 1 euro eu consigo usar tanto ônibus quantos trens por uma hora, e só entçao meu ticket perde a validade! Muito bom!
Voltando ao assunto das bikes, em cada esquina, em cada quadra vazia, em cada canto possível foram instalados suportes para você prender/cadear/amarrar sua bike. Em Amsterdam existem balsas flutuando nos canais, em partes "mortas" do canal, e nessas balsas você vai lá e deixa sua bike e pronto! A balsa nunca vai sair de lá, e quando você precisar é só voltar lá, desamarrar e ir embora. Tudo de graça!
Acho que a europa funciona pois eles pensam no coletivo, enquanto que brasileiro só quer saber de se dar bem e fazer os outros de ferrarem... Aí é todos se ferram juntos...

Dinheiros

O euro é uma moeda forte, boa, aceita em quase todos os países da europa. Mas meu navio vai pra lugares onde não há euro. Na Inglaterra é só a libra, e não aceitam mais nada. Nos países da escandinávia (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) só é aceito o Krono, mas cada país tem seu krono. O krono norueguês só é aceito da Noruega e assim por diante. Em cada parada que o navio faz, é mais vantagem eu trocar dinheiro numa casa de câmbio e depois comprar meus souvenirs, comidas, taxis etc. Se eu for pagar em dólares, porque eu recebo salário em dólares, então a cotação fica muito pior do que trocar na casa de câmbio... Fui na rússia mas nem troquei pelo dinheiro russo, que nem sei qual é. Comprei só um chapéu muito louco com uma ambulante russa que falava espanhol e paguei em dólares. Ela era linda como muitas outras russas com que cruzei pelo caminho, mas eu não tinha tempo pra nada: paguei em dólar mesmo e voltei pro navio.
Cédulas são interessantes pra trocar, mas moedas sou obrigado a carregar de volta pra casa como souvenir, pois nenhuma casa de câmbio aceita moeda... Aff...

Poliglotismo

Acho muito interessante a torre de babel que é a europa. Basta atravessar uma fronteira pequena e o idioma corrente já é outro. Ou seja: é muito comum as pessoas serem poliglotas na europa. O holandes é muito parecido com alemão, então fica fácil entender quando alguém fala dutch perto de você que já sabe falar alemão. O mesmo valo pro norueguês (flamish). Espanhol e italiano, línguas que derivan do latin, são muito similares também. Mas de modo geral, na europa toda todos falam inglês, muitos falam alemão, alguns arriscam espanhol mas italiano só mesmo na italia... lol
Muito bom parar na rua e pedir informações pra qualquer um, em qualquer lugar, falando inglês. Os que não querem ajudar respondem em alemão, e então eu pergunto de novo só que agora em alemão... lol
Existe um ditado que diz que conhecimento não serve de nada se você não souber se comunicar, e eu acho que a europa funciona muito bem porque eles sabem se comunicar muito bem, em vários idiomas...
Já nosso presidente não sabe nem portugês direito... aff...

Diário de Kristiansand

Ou seria Kristian Sand? Sei lá... Só sei que não desci de novo nessa cidade pelo mesmo motivo besta: Cheguei atrasado no café da manhã e minha punição foi ter que trabalhar durante meu break. Melhor isso do que ganhar um warning. (com 3 warning eles cancelam meu contrato e eu tenho que pagar do meu bolso a passagem pra casa...)
Mas acho que se eu tivesse saído não iria ter aproveitado muita coisa. O porto fica numa parte isolada da cidade, junto ao terminal cargueiro. E todas as excursões do navio que eu li diziam que eu tinha que sair da cidade pra ir ver a fábrica de cristais, ou o museu de pedras preciosas etc... Tipo, até que parecia ter coisas interessantes, mas eu entendi na programação que eram coisas todas longe do porto, e eu iria gastar muuuito com táxi...
Menos mal ficar no navio... sei lá...

Diário de Bergen

Não desci do navio em BErgen pois estava muito cansado, e dormi cada segundo possível durante meus dois breaks. Eu cheguei à pensar em ir no aquário da cidade, mas mesmo entrando de graça (crew member tem regalias xD ) eu teria de gastar com taxi de novo...

Friday, July 16, 2010

Diário de Molde e Geiranger

Não desci nessas duas cidades. Eu cheguei muito atrasado no café da manhã e como punição eu tive que trabalhar por dois dias seguidos durante meu break da tarde. Com isso, fui obrigado a dormir no break da manhã, e então nem saí nessas cidades. Mas depois descobri que nem foi tão ruim assim eu ter ficado sem sair do navio.
Molde foi num domingo, e fiquei sabendo que a cidade estava inteira fechada, nem mesmo uma única bosta de uma loja de souvenir estava aberta. A única atração mesmo era o ônibus de tour que mostrava e explicava os principais pontos e locais da cidade, mas a cidade toda estava fechada... lol
E em Geiranger não perdi nada pois das outras vezes em que saí eu já conheci tudo o que havia pra se conhecer lá. Fui no monte Dalsnibba, a 1500m acima do nivel do mar, fui pro outro lado do fiorde num outro mirante etc.
Molde foi minha primeira vez, e não desci, fica prum outro dia. Mas Geiranger não me interessa mais sair do navio.

Diário de Flam

Em Flam a única atração realmente boa é um passeio de trem que durante 2h ele anda um trecho de 20km até a parte alta de uns fiordes, a mais de 860m de altura acima do nivel do mar. Mas eu não tinha esse tempo e fiquei só passeando do lado de fora da estação de trem: lojas de souvenir gigantes, em cartel, e 2 hoteis. Um mini camping e acabou a vila de Flam. Meus passageiros não tiveram sorte e na metade do caminho o trem quebrou e eles tiveram que voltar pela força da gravidade mesmo, ladeira abaixo, e tiveram o dinheiro reembolsado mas o tempo perdido e a frustração não tem preço...
Nas laterais dos fiordes que circundam Flam era possível ver mais túneis em meio às rochas, e o sol brilhou muito bem nesse dia. Eu cheguei a pensar em ir tomar um banho na mini-praia que havia no mini-camping, mas pensando melhor fiquei no navio mesmo durante meu segundo break do dia e não me arrisquei a ter uma hipotermia...
Os firodes de Flam lembraram muito os de Geiranger, mas em Flam não há neve e o verde é muito mais verde...

Diário de Stravanger

Em Stravanger, Noruega, desci e nem fiz muita coisa útil. Logo na saída do porto, que fica no meeeiiiooo da cidade, tinha uma feirinha de roupas, bijuterias e frutas. Comprei uma caixa de morangos gigantes igual à que eu já havia comprado em Bergen. Não tinha camiseta com o nome da cidade estampado, mas tinham muitas camisetas de bandas de rock lá, feitas com uma malha muito boa, um algodão muito grosso e pesado, com estampa dupla (frente e costas iguais) e eu só de raiva comprei mais uma camiseta daí, da banda Slipknot hehehe
Dei um giro por detrás do lago que existe atrás da igreja matriz, vi uns albatrozes, gaivotas e outras aves transmissoras de zoonoses e depois fui no Burguer King usar a wifi gratis deles...
Dentro do BK tava tranquilo, mas fora quase ninguém se atrevia a ir comer pois as aves malditas iam lá roubar a comida! Absurdo!
A água do porto era tão limpa e tão transparente que deu pra ver bem fundo a parte imersa do navio, e os motores atrás também deu pra ver melhor do que nos outros portos.
Haviam bastantes (no plural?) museus na cidade, mas não havia tempo hábil pra mim...
Não fiquei nem uma hora fora do navio e já voltei pro trabalho, com uma dor de cabeça fortíssima, mas ainda bem que eu tenho um super estoque de superhist (coristina d)...

Diário de Oslo

Em Oslo, capital da Noruega, consegui um break legal com o chefe e fui conhecer os museus da cidade. Eu havia lido no guia de excursões do navio sobre os lugares interessantes, e daí sabia já onde ir hehehe
Mais uma vez, peguei o primeiro taxi que vi e o motorista paquistanês me levou até o museu de barcos vikings. Muito louco! 3 navios vikings estavam lá dentro pra observação! Não entendi muito bem, pois eu não tinha tempo pra ler nada, mas de acordo com umas fotos que vi acho que os barcos que ali estavam foram na verdade túmulos de alguma pessoa importante da época. As fotos mostravam os barcos sendo desenterrados de cima de montanhas! Estranho um barco enterrado em cima de uma montanha... Restos de ossos também estavam lá para observação.
No caminho até o museu passei na frente da casa do rei. Na Noruega também tem rei, com um primeiro ministro que manda lá. A casa do rei era uma casa simples, com 2 andares, numa área rural, cheia de guardas cercando o terreno e fazendo rondas debaixo de uma chuva fraca e chata...
Saindo do museu fui num outro logo ao lado, (os museus ficam todos juntos numa única área isolada da cidade) mas não entrei. De fora haviam umas fotos e cartazes e o taxista disse que dentro só mostrava aquilo mesmo que eu já estava vendo nos cartazes fora. Eu já vi museu de barco em Estocolmo, Suécia (Vasa), e tinha acabado de ver mais 3 barcos vikings no museu de antes, e eu achei que era barco demais pra mim já. Saí de lá da região de museus e fui prum castelo gigante que tem no meio da cidade. Mas tava chovendo, e castelo eu já havio visto um em Dover, e algo me disse que eu não precisava ir noutro castelo... Aí fui pro shopping e fiquei lá usando free wifi até a bateria do notebook acabar hehehe...
Esqueci de passar na frente do palácio real, mas tudo bem, comprei um livro e peguei vários flyers e guias de turistas grátis que achei no caminho, todos cheios de fotos e textos interessantes.
Muito legal e interessante a facilidade com que eles fazem túneis no meio das pedras. Não falo só de Oslo mas em toda a Noruega eles preferem fazer túneis ao invés de fazer pontes ou desvios. Em Tromso, que fica numa ilha, o acesso terrestre ocorre por um túnel subaquático de mais de 6km... é tipo o túnel do canal da mancha, só que bem menor... Mesmo assim, 6km de túnel é coisa pra caramba! Em Oslo existe uma mini baía no meio da cidade, e adivinhem: Um túnel subaquático liga os dois pontos de terra... Não sei qual é a profundidade da baía, em coluna de água, mas sei que o ponto mais baixo desse túnel fica a 45m abaixo do nível do mar... Muito louco o túnel! Muito bem iluminado e ventilado também. E pasmem: um trevo e um desvio dentro dele! O.O

Wednesday, July 14, 2010

Diário de Dover

Em Dover, Inglaterra, fui finalmente visitar o castelo de Dover... Caralho! Descobri que ele é o único no mundo com as características que ele tem! Fica na beira de um penhasco à beira-mar, foi utilizado por Napoleão, e durante o período em que Napoleão estava lá, ele mandou que fossem construídos túneis subterrâneos para alojamento... Durante a segunda guerra mundial (WW2) os aliados gostaram da idéia, reformaram os túneis da época de Napoleão e construíram novos túneis, com hospital interno, refeitório etc... O sistema de túneis é tão grande e complexo que abrigavam até 2000 pessoas! Eu disse DUAS MIL PESSOAS VIVENDO EM TÚNEIS! Aqui no navio minha cabine não é muito diferente de um túnel, mas durante uma guerra a coixa é diferente. O ataque do dia D foi comandado dali de baixo, numa central de telecomunicações que na época possuía pouco mais de 100 linhas de comunicação simultâneas! As únicas pessoas civis que moravam ali eram os técnicos e engenheiros responsáveis pela manutenção dos equipamentos. Pasmem: todos os equipamentos da época, (rádios, radares etc) ainda conservados lá, hoje cabem em um único notebook! O.O Salve a tecnologia!
Os túneis são com uma inclinação notória, para ajudar no escoamento de água, e possuem um vento forte que sempre sopra devido ao excelente sistema de ventilação. Mesmo com mais de 60 anos depois do fim da WW2, no lugar ainda se sentem os cheiros da época, principalmente nos túneis onde ficavam o hospital e o refeitório.
Durante a visita, uma guia ia explicando os detalhes e curiosidades, e em cada parte que andávamos (eu e um grupo aleatório) algo acontecia para que pensássemos estar mesmo na guerra ainda. As luzes piscavam, oscilavam ou se apagavam completamente, e gravações da época (sim! da época!) narram a trajetório de um aviador que teve um ferimento na perna e foi tratado no hospital subterrâneo. Muito louco! O efeito 3D das caixas de som faz com que você acredite que algo realmente está acontecendo lá, mas você não vê nem médicos nem soldados nem nada. Só vê um monte de turistas tontos com tanto equipamento médico antigo pra olhar... Uma verdadeira experiência de imersão (imerção?) sensorial!
Na parte de cima, a parte normal do castelo, tudo muito bem restaurado e com vários guias espalhados explicando tudo que eu pergutasse. Mas não perguntei nada, eu não tinha tempo. Umas partes externas do castelo, onde ficavam as barracas e escritórios foram adaptadas em mini-museus, mas mesmo assim são museus relativamente grandes pois exigem tempo para olhar, ler e analisar cada detalhe lá ornamentado. Eu acho que são necessários uns 2 ou 3 dias cheios pra ver tudo o que o castelo tem pra mostrar, mas eu só tinha 2 ou 3 horas pra ver... :-/

Update de Amsterdam

Complementando o último post do museu da Anne Franke, como se fosse mais um PS no rodapé, falo sobre a grafia dela. Trecho e padeços do diário original estavam lá expostos no museu, e dava pra ver a grafia dela. Eu já li sobre grafologia, e pude analisar que ela, enquanto escondida e escrevendo, se mostrava uma menina tímida, vaidosa, alegre (sim!) mas que todavia precisava de espaço. Sim, isso e muitas outras coisas dá pra analisar pela letra de uma pessoa, e o que e surpreendeu foi o fato dela estar feliz no meio daquela situação... Talevz ela sabia se contentar com pouco, talvez ela era só uma criança boba feliz com tudo sempre 9com certeza não...) ou talvez os nazistas não saberem dela era motivo suficiente pra ela ser feliz... É... Acho que era isso...

Monday, July 12, 2010

Diário de Amsterdam

Nesse último Amsterdam fui finalmente pro museu da Anne Frank (Franke?). Pra quem não lembra, ela foi uma criança que escreveu um diário durante a segunda guerra mundial (WW2) contando como era a bosta da guerra, e contando como que ela e mais 7 pessoas viviam escondidas nos fundos de um escritório, numa parte extremamente mocada e escondida que só foi descoberto porque alguém dedurou.
Caralho, a história revolta. Embora eu ainda não tenha lido o livro, sei da história... E lá na casa/museu pude ver de perto como que era sinistro. Por quase 4 anos ficaram escondidos lá, sem pegar luz do sol, sem pisar na rua. Frases extraídas do livro preenchem as paredes no idioma original (dutch) e em inglês. Pertences conservados, pedaços intactos do diário dela e muita coisa do período da WW2 estão lá pra serem observados e pensados...
Porra, é um lugar que todo mundo precisa ir, pra ver quais atrocidades o ser humano é capaz de fazer com a própria espécie...
Ela e a família se fuderam na WW2 porque eram judeus. E se fuderam mais ainda porque estavam se escondendo e ajudando outros a se esconderem. Foram pro campo de concentração de Auschwitz (escrevi certo? o.O) porque algum fdp denunciou pros nazistas e lá no campo de concentração a Anne morreu, ainda criança, e um mês depois da morte dela os britânicos invadiram o campo e libertaram todo mundo. Se ela estivesse aguentado mais um mês só, estaria viva até hoje!
Quem editou o diário foi o pai dela, e vocês precisam ver o depoimento do pai dela sobre quando ele o diário pela primeira vez... caralho! Porra! Puta que o pariu! (o depoimento do pai dela passa numa das tvs espalhadas pela casa, com videos curtos que variam de 1 à 4 min...)
O museu é nota 1000! Mas a história que ele conta é tamanho desgosto que eu passei mal, sério mesmo. O ser humano não presta (e disso eu sei faz tempo... :-/ ) Quase tive ânsias, e saí do museu extremamente triste, tinha perdido completamente a fome, saí com a cabeça mudada mais uma vez como numa metamorfose ambulante, e passei quieto o resto do dia todo... É algo chocante desde o primeiro passo na casa dela.
Porra! Ela era uma criança quando escreveu isso tudo! Ela era uma criança quando foi pra Auschwitz e morreu de inanição! POOORRRAAAAAAA!!!!!!! Era só uma criança sem culpa da religião que os pais dela empregnaram nela! Não sei se me revolto pela ignorância da intolerância, ou se me revolto por mais uma vez ser um motivo RELIGIOSO que gerou tantas mortes. Religião não presta. Intolerância não presta.
Comprei o livro dela, na "edição definitiva" como diz na capa. A última revisão que o pai dela fez, completando ainda mais a obra com partes que antes estavam esquecidas. Comprei também um livro sobre a história do museu, como que começou as visita até se transformarem numa organização formal que transformou num museu. Comprei também um último livro chamado "Os 7 últimos meses de Anne Franke", dizendo que o livro tem uma história que foi contada por outras 6 mulheres que conviveram com a Anne no campo de concentração. Sim, comprei 3 livros, mas não comprei nenhuma camiseta pois não tinha. Sei que comprei livros demais, mas não me importo. Sei que não consigo ler 70 livros num ano, mas um livro é algo pra vida toda, assim como a lembrança das coisas que vi na casa da Anne Franke.
Termino esse post mais uma vez triste, relembrando os detalhes que presenciei no museu/casa...

PS: Só pra vocês verem como a Anne era foda, boa demais: Ela estava escrevendo o diário dela sem grandes pretenções. Estava escrevendo porque não havia muito o que fazer trancado numa casa pequena com mais 7 pessoas. Mas numas das noites, quando ela e as demais pessoas iam ouvir rádio com as novidades da guerra, o radialista sugeriu que todos escrevessem (escrevecem?) diários pois alguns poderiam ser publicados depois da guerra. Adivinhem o que Anne fez: Ela REESCREVEU os diários todos que ela tinha, transformando o linguajar para que fosse melhor numa futura publicação. Ela era só uma criança e reescreveu todos os diários visando uma futura publicação! Caralho! Mas a guerra fez dela um potencial desperdiçado. A guerra matou ela. Merda.

Sunday, July 11, 2010

Fim do cruzeiro 1/3

Aqui no norte da europa meu navio tem 3 roteiros. Um deles é o que ia até Honningsvag/Cabo Norte, o ponto mais ao norte da Europa/Noruega. Esse roteiro acabou. Não irá fazer nunca mais nessa tenporada de 2010.
Os outros dois roteiros são um que vai até Oslo e depois pros fiordes noruegueses, e o outro é um que vai até São Petesburgo e volta.
Agora to no roteiro de Oslo, vou repetir duas cidades do cruzeiro de Honningsvag, mas é só. E são duas cidades que não me interessam mais, pois já conheci tudo o que podia conhecer nessas duas vilas... (Geiranger e Bergen) Peraê! Bergen é a segunda maior cidade da Noruega! Tá cheia de museus e não fui em nenhum! E tem um aquário muito grande que também não fui! Mas Geiranger já fui pra longe, fui no glaciar do monte Dalsnibba, fui pro outro lado dos fiordes ver as cachoeiras 7 irmãs etc... Acho que vou de novo em Bergen...

Diário de Alesund

Alesund é um lixo.
Fim do post.

(sim, o post é só isso mesmo, mas tem um PS aqui abaixo...)

PS: Complementando, a cidade se paga como uma das poucas cidades do mundo onde o centro é completamente num mesmo estilo, e no caso de Alesund, a arte Nouveau predomina todos os prédios. Mais de 10 deles são tombados pela unesco como patrimônios da humanidade... Mas só.
Sabem porque o centro da cidade inteiro é num estilo só? Porque um icêndio gigante destruiu tudo. Ruas pequenas e estreitas ajudaram o fogo a se alastrar e destruir tudo. Aí acho que o prefeito da época tinha um amigão que era arquiteto desempregado, e acho que daí deu a idéia pro cara reprojetar o centro da cidade inteiro no mesmo estilo Nouveau... Só pode. Além da arquitetura externa, a cidade não tem mais nada de interessante. O shopping center é pequeno, desorganizado, e com uma planta extremamente bagunçada, com andares inteiro entre um andar e outro, como se existisse um andar 2,5, que fica entre o segundo e o terceiro andar...
No mirante da cidade, um morro muito íngrime perto da península onde está a cidade, existe uma vista bonita e mais nada. Lojas de souvenir oferecem produtos repetidos em cada esquina, com uma variedade ridiculamente limitada.
No museu do fogo onde fui, eu esperava ver a história da cidade, de como o incêncio gigante começou etc... Só encontrei muito lixo e material velho de antes do fogo. Louças, móveis e fotos de como era o centro da cidade antes do incêncio. Mas nada explicando porque o fogo começou, quanto tempo durou etc... É um museu do fogo que não explica porra nenhuma sobre o fogo! Bosta! O museu tinha uma passagem subterrânea pro outro museu que fica do outro lado da rua: um museu de arte nouveau moderna... Quadros pintados e fotos espetaculares estampados em ambientes limpos, amplos e claros. Mas mesmo assim fiquei frustrado com a visita nesses dois museus simplistas. Comi um McDonalds e voltei pro navio, revoltado, com sono e com dor de cabeça...

Saturday, July 10, 2010

Diário de Honningsvag

Na última vez que o navio foi pra Honningsvag eu pedi pra ir de novo na excursão. Na outra vez que eu fui estava chovendo, sem a menor chance de ver o sol da meia noite ou o mar ártico penhasco abaixo.
Mas dessa segunda vez foi mais concorrido, cheio de tripulantes pedindo vaga pra ir de graça, e o chefe das excursões disse que não tinha como. Perguntei se eu podia pagar pra ir e ele disse que pagando tinha vaga! auHauhaHUahuaHauaHUAhua Já é! É claro que paguei e fui! E dessa vez estava melhor o tempo! Não estava lindo, aberto, claro etc... Mas estava com uma cerração (escrevi certo?) fraca mostrando o sol por detrás dela. A bola estava muito bem delineada, e eu podia olhar diretamente pra ela sem sentir os olhos encomodados. Mais uma vez fiquei sem ver o céu azul junto ou o mar, mas dessa vez vi o sol na forma de uma discreta bola amarela por detrás da cerração! Sim, eu fui duas vezes pro mesmo lugar! Eu paguei pra ir de novo na segunda vez! E não me arrependo nem um pouco! Comprei um super dvd junto lá... paguei caro, mas dane-se, são mais de 2 horas e meia de imagens do ponto extremo norte europeu, mostrando cenas do verão (sol 100%) e do inverno (escuridão rasgada por auroras boreais fenomenais)...
O lugar é indescritível, a estrutura e o ambiente todo é algo inexplicável! Só estando lá pra saber... (e eu estava lá hehehe...)

Friday, July 9, 2010

Diário de Tromso

Na última vez que o navio foi pra Tromso eu não desci. O porto fica longe da cidade, e meu break era curto demais pra perder tempo indo até o centro e depois voltando. Tava chovendo, então preferi ficar na cabine mesmo...
Tromso tem uma montanha sem nome que em cima dela existe uma estação de esqui, um teleférico que sobe até lá, e muita neve pra ver. Mas não fui lá. Só sei disso porque dá pra ver a montanha de dentro do navio e porque o taxista falou. Nem cheguei à ir pra outra metade da cidade... Um canal grande divide a cidade em dois, e se não me engano a cidade fica numa ilha, igual à muitas outras cidades do litoral norueguês. Tromso tem uns museus árticos legais também, e só sei que são legais por que meu amigo do setor de excursões foi pra lá e comentou, mas infelizmente não tive tempo de ir lá. Fica prum outro contrato...

Saturday, July 3, 2010

Mudança de contrato

Faz quase um mês e mudou o maître aqui do navio, e logo na primeira semana ele já disse que todos os garçons que trabalham como garçons mas que tem contrato de assistente de garçon, podem mudar de contrato em no mínimo um mês. Faz quase um mês que ele falou isso... E eu me enquadro nisso aí...
Se ele mudar meu contrato, aí sim meu salário vai ficar interessante!
Desde que ele falou isso até agora, tá tudo certo. Os relatórios de avaliação dos pax que ele recebe, ele imprime e põe no nosso mural do restaurante, e não tive nenhuma avaliação péssima até agora! UHUL!
Agora é só uma questão de tempo...

Friday, July 2, 2010

Diário de Amsterdam

Neste último Amsterdam finalmente fui pro distrito da luz vermelha! Mas grandes merdas, fui de dia e a única puta que vi foi numa vitrine ao estilo Preta Gil... :-/ O navio sai de tarde da cidade, e o bom mesmo é a noite no distrito, então não vai ser como tripulante que vou conseguir ver o distrito funcionando à pleno vapor...
O distrido da luz vermelha fica ao redor da Old Church, ou seja, a igreja mais antiga já construída na cidade. Que contraste curioso! AUHAuhAUHAHUAauHAhu
Nem saí do taxi e fui direto pro museu de cera Madame Tussauds (lê-se Madame Tissô), famoso por suas estátuas de cera copiando pessoas famosas e/ou importantes como se fossem verdadeiros manequins de vitrine. Os detalhes em cada estátua são absurdos! Cada um está numa posição diferente, e cada músculo ou nervo são distinguíveis, como se fossem reais! Por causa da iluminação você percebe algo estranho na pele das pessoas, e por isso sabe que são bonecos de cera, mas o realismo é 100% mesmo! Muito bem dimensionado, o museu começa com pessoas dos tempos antigos, depois vai pra líderes de governos, artistas famosos da música e no final artistas de filmes e tv. Nossa, até as tatuagens da Angelina Jolie estão lá no manequim de cera! A Kelly Minogue é muito baixinha, a Jennifer Lopez é muito bunduda, a Beyonce Knowles é baixinha e magrela, Barack Obama é muito alto, Salvador Dali era magrelão etc... Tinha muita gente famosa e não to afim de falar de todos...
A merda foi que saí do navio e tinha esquecido de carregar a bateria da máquina de foto, ou seja, consegui bater fotos no museu, mas tirei muito menos fotos do que se eu estivesse com bateria cheia. A última foto foi na saída do museu, então tá massa... Mas que eu queria ter tirado mais fotos eu queria! Comprei mais um monte de camisetas de souvenir, uma mais engraçada que a outra (por exemplo: Amsterdam, paradise city. where de grass (weed, sic) is green and girls are pretty (whores, sic), e voltei pro navio...
O museu da Anne Frank fica pra outra vez...

Thursday, July 1, 2010

Diário duplo de Geiranger

Mais um diário duplo, desta vez de Geiranger (lê-se guéringuêr), Noruega. Num momento de extrema loucura e insanidade, num break extremamente curto que tive, desci correndo do navio, saí do bote salva-vidas correndo (não tem porto em Geiranger) e após olhar frustado pro único táxi que havia e constatar que era uma van, pensei: Droga, acho que é só pra excursão! Mas que nada, disse pro cara que eu não tinha tempo, mas que tinha dinheiro e que queria ir no mirante mais alto dali, ele deu o preço e tempo estimado, e eu disse vamos! Eu tava afim de chegar atrasado mesmo no trampo, mas cheguei a tempo! No passeio mais caro que já fiz, paguei sozinho duas horas de táxi até o monte Dalsnibba e de lá de cima dos 1500 metros eu vi neve pela primeira vez na vida!
UHUUULLLLLLL!!!!!!! EU VIII NEEEVEEEEEEE!!!!!!!
Deitei na neve e rolei e filmei essa tosquice pois no caminho pra montanha vi um amigo meu a pé na rua e "pesquei" ele pra dentro do táxi, e daí ele me filmou...
Lá era muito alto, muito frio, muito claro (a neve branca é tão branca que dói os olhos, ainda bem que eu tava de sunglasses...) e mesmo de tão longe eu conseguia ver o navio ancorado perto da vila de Geiranger!
Não fiquei nem 10 minutos em cima da colina Dalsnibba e voltei pro navio, ainda com a adrenalina à milhão pela neve! (ou seria pelo medo de chegar atrasado no trampo? o.O)
No caminho, entre as várias montanhas e lá no alto, um lago gigante congelado! É isso mesmo! Um lago enorme a mais de 1000m de altura inteiramente congelado! As poucas partes que estavam descongelando mostravam um azul claro inacreditável!
O taxista muito de boa pegou um desvios pela estrada velha, só pra mostrar como que era o perigo antigamente... Hoje em dia é 100% asfaltado, e um asfalto muito bom por sinal! Mas antigamente, vixe...
Também no caminho, em meio às montanhas e penhascos rochosos, algumas mini-fazendas de criação de ovelhas, alguns campings, e uns mirantes também, locais para uma pausa rápida e apreciar a paisagem...
Demorei ao total uns 60min pra subir o monte com o taxi, uns 10min lá em cima e mais 50min pra descer voando até o navio...
Na segunda vez fui num lugar mais perto, porém proporcionalmente tão caro quanto o monte Dalsnibba descrito acima. (encontrei o mesmo taxista! sorte ou azar? jamais saberei...) Neste segundo dia fui pro outro lado dos fiordes de Geiranger, e de lá de cima pude ver as cachoeiras 7 Irmãs, um local único em meio aos fiordes onde existem lado a lado 7 cachoeiras, e é claro que o folclore popular já se deu ao trabalho de criar uma lenda sobre as cachoeiras, mas nada digno de ser descrito aqui. Ao total, demorei só uns 50min total, considerando o tempo de subida, descida e os 5min que fiquei lá em cima no mirante.
Toda essa brincadeira foi extremamente cara, mas algumas coisas são "once in a lifetime", e eu só vou saber se é quando já for tarde demais, e é por isso que fui em todos esses lugares, paguei caro, mas posso estufar o peito e dizer que (vim, vi e venci hehehe) conheço 100% a vila de Geiranger e seus arredores.