Monday, July 12, 2010

Diário de Amsterdam

Nesse último Amsterdam fui finalmente pro museu da Anne Frank (Franke?). Pra quem não lembra, ela foi uma criança que escreveu um diário durante a segunda guerra mundial (WW2) contando como era a bosta da guerra, e contando como que ela e mais 7 pessoas viviam escondidas nos fundos de um escritório, numa parte extremamente mocada e escondida que só foi descoberto porque alguém dedurou.
Caralho, a história revolta. Embora eu ainda não tenha lido o livro, sei da história... E lá na casa/museu pude ver de perto como que era sinistro. Por quase 4 anos ficaram escondidos lá, sem pegar luz do sol, sem pisar na rua. Frases extraídas do livro preenchem as paredes no idioma original (dutch) e em inglês. Pertences conservados, pedaços intactos do diário dela e muita coisa do período da WW2 estão lá pra serem observados e pensados...
Porra, é um lugar que todo mundo precisa ir, pra ver quais atrocidades o ser humano é capaz de fazer com a própria espécie...
Ela e a família se fuderam na WW2 porque eram judeus. E se fuderam mais ainda porque estavam se escondendo e ajudando outros a se esconderem. Foram pro campo de concentração de Auschwitz (escrevi certo? o.O) porque algum fdp denunciou pros nazistas e lá no campo de concentração a Anne morreu, ainda criança, e um mês depois da morte dela os britânicos invadiram o campo e libertaram todo mundo. Se ela estivesse aguentado mais um mês só, estaria viva até hoje!
Quem editou o diário foi o pai dela, e vocês precisam ver o depoimento do pai dela sobre quando ele o diário pela primeira vez... caralho! Porra! Puta que o pariu! (o depoimento do pai dela passa numa das tvs espalhadas pela casa, com videos curtos que variam de 1 à 4 min...)
O museu é nota 1000! Mas a história que ele conta é tamanho desgosto que eu passei mal, sério mesmo. O ser humano não presta (e disso eu sei faz tempo... :-/ ) Quase tive ânsias, e saí do museu extremamente triste, tinha perdido completamente a fome, saí com a cabeça mudada mais uma vez como numa metamorfose ambulante, e passei quieto o resto do dia todo... É algo chocante desde o primeiro passo na casa dela.
Porra! Ela era uma criança quando escreveu isso tudo! Ela era uma criança quando foi pra Auschwitz e morreu de inanição! POOORRRAAAAAAA!!!!!!! Era só uma criança sem culpa da religião que os pais dela empregnaram nela! Não sei se me revolto pela ignorância da intolerância, ou se me revolto por mais uma vez ser um motivo RELIGIOSO que gerou tantas mortes. Religião não presta. Intolerância não presta.
Comprei o livro dela, na "edição definitiva" como diz na capa. A última revisão que o pai dela fez, completando ainda mais a obra com partes que antes estavam esquecidas. Comprei também um livro sobre a história do museu, como que começou as visita até se transformarem numa organização formal que transformou num museu. Comprei também um último livro chamado "Os 7 últimos meses de Anne Franke", dizendo que o livro tem uma história que foi contada por outras 6 mulheres que conviveram com a Anne no campo de concentração. Sim, comprei 3 livros, mas não comprei nenhuma camiseta pois não tinha. Sei que comprei livros demais, mas não me importo. Sei que não consigo ler 70 livros num ano, mas um livro é algo pra vida toda, assim como a lembrança das coisas que vi na casa da Anne Franke.
Termino esse post mais uma vez triste, relembrando os detalhes que presenciei no museu/casa...

PS: Só pra vocês verem como a Anne era foda, boa demais: Ela estava escrevendo o diário dela sem grandes pretenções. Estava escrevendo porque não havia muito o que fazer trancado numa casa pequena com mais 7 pessoas. Mas numas das noites, quando ela e as demais pessoas iam ouvir rádio com as novidades da guerra, o radialista sugeriu que todos escrevessem (escrevecem?) diários pois alguns poderiam ser publicados depois da guerra. Adivinhem o que Anne fez: Ela REESCREVEU os diários todos que ela tinha, transformando o linguajar para que fosse melhor numa futura publicação. Ela era só uma criança e reescreveu todos os diários visando uma futura publicação! Caralho! Mas a guerra fez dela um potencial desperdiçado. A guerra matou ela. Merda.

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