-Ma ôe, ma ôe! Vem pra cá, vem pra cá!
-Oi Silvio...
-Ma ôe! Caravana de onde?
-Vim do navio que está em Ilhéus...
-Navio em Ilhéus? E quem nasce em Ilhéus é o que?
-É ilheense...
-Ilheense? Tá certo, tá certo! Ih ih ih!!! Vai pra lá, vai pra lááá!!!
Sei lá, só achei engraçado quando descobri que realmente existe um "e" duplo na palavra ilheense... Mas Ilhéus não é uma ilha, sei lá por que desse nome...
Então... Dia 28 agora estive mais uma vez em Ilhéus.
E desta vez fiz um tour histórico e cultural...
Fui até o Bataclan, antigo puteiro (vulgo bordel, zona ou casa da luz vermelha) dos anos 20. Na época dos coronéis e tudo mais, garotas do mundo todo, inclusive do interior do brasil, iam até o Bataclan prestar seus serviços... A dona se chamava Maria Machadão. (deixa a puta falar! auhAUHahuAUH)
Hoje em dia é um restaurante, mas um dos quartos foi conservado igual era na década de 20. As paredes feitas de pedra e banha (vulgo gordura, lipo) de baleia também são originais ainda. A estrutura de madeira também, eita caibros absurdos!
Existe também um show local dentro do bataclan com danças folclóricas que nada tinham a ver com os anos 20, mas quem se importa? aUHAuhAUHahuhuAHUa
Esse Bataclan ficou famoso graças ao escritor Jorge Amado (JA), nos livros Gabriela Cravo e Canela, e no outro livro Terras do Sem Fim. Pena que 50 reais em cada livro é coisa de mais pra mim... (além do que já tenho uns outros 10 livros aqui na cabine que ainda preciso ler... eita vício difícil aqui no navio... hehehe)
Saindo do Bataclan (com mais uma camiseta na lista de coisas compradas) fui até o teatro municipal de Ilhéus, que fica em frente à antiga casa de JA. No teatro só havia uma exposição de obras de artes e pinturas, muito interessantes por sinal, e o acesso até o palco estava aberto também, mas não havia nenhuma apresentação marcada no dia. Dentro do teatro parecia um forno, muito abafado, sem ventilação alguma, e absolutamente escuro, com duas pequenas luzes sobre o palco apenas. 10 minutos perdidos.
Mas saí do teatro direto pra casa de JA, logo em frente, que hoje é uma casa da cultura, com cursos várias de artes. Entrada com valor simbólico e dois guias apresentando a casa, e mais um video de 4 minutos ao final do passeio que durou outros 14 minutos ao total. Gostei muito da parte cultural de JA! Os livros de JA foram traduzidos pra mais de 42 idiomas! (eita número daora! 6*9=42...)
Os guias ainda explicaram que a casa na real era um palacete, que o pai do JA construiu depois de ganham uma bolada na loteria da época. Com a grana ele também comprou o título de coronel e então Jorge Amado pode se dedicar à literatura sem problemas financeiros em mente... Idéia legal! Vou voltar a jogar na lotérica!
Na rua onde fica a casa do JA e o teatro, que na real é um grande calçadão hoje em dia, existem todos os tipos de pessoas tentando vender qualquer tipo de bagulho, pedindo uns trocados pela dança de capoeira ao vivo, e outras porcarias, então resolvi voltar pro navio.
Detalhe que esqueci de escrever no último post de Ilhéus: dia 14 quando também estive em Ilhéus eu comprei 3 livros de cordel do Seu Lunga, personagem nordestino famoso pela sua grosseria. Mas o livro de cordel é um lixo, tão mal escrito, mas tão mal escrito, que só comecei a entender o livro quando vi que o animal do autor escreve apenas os fonemas da pseudo-linguagem nordestina. Por exemplo: U Seu Lunga istava pintandu muro da casa quandu um vizinhu passa e pergunta "tá pintano?" e o Seu Lunga diz "não! tô chupandu picolé" e então enfiou o pincel na boca...
Talvez algum outro livro de cordel seja útil e realmente cultural, mas esses 3 que comprei foram pura queimaççao de dinheiro...
PS: Na verdade, a quantidade total de idiomas que os livros de Jorge Amado foram traduzidos é de 48 idiomas. Mas 48 é mais de 42, e eu só tava afim de escrever o número 42 mesmo hehehe...
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