Monday, November 2, 2009

Diário de Málaga

Infelizmente não pude descer em Málaga, mas não foi por causa de problemas políticos entre os dois países (brasil e espanha). Foi por causa de um treinamento padrão de emergência que rolou no dia, e quando tem treinamento, ninguém pode descer até o treinamento acabar. Quando acabou o treinamento, eu tinha só 30min pra descer e ver alguma coisa. Preferi ir pra cabine dormir.
Mas durante o treinamento, eu preciso ficar num local determinado no navio: no último andar a céu aberto. Fui pro treinamento com minha máquina de foto no bolso e tirei algumas fotos!

De cima do navio, no deck mais alto possível, tudo parecia pequeno. Os peixes que circundavam o barco pareciam pequenos, assim como os caminhões que ao longe carregavam containers dos navios cargueiros. Enquanto eu esperava o treinamento acabar, peguei minha máquina fotográfica e principiei a registrar a paisagem. Edifícios antigos e restaurados, montanhas ao fundo, shoppings centers novos, muitas cores e muitas pessoas se movimentando. Comecei com algumas fotos do meu lado direito, e fui tirando novas fotos enquanto deslocava a máquina para minha esquerda. (não possuía acesso ao lado boreste do navio.) Quando eu já estava para terminar com as as poucas fotos que meus 180 graus de visão permitiam, vi ao fundo do navio uma densa névoa que se aproximava. Menos de 2 minutos após vi que densa névoa estava ainda mais próxima, e com grande velocidade ela veio e engoliu o navio, como um grande peixe que abocanha um pequeno alevino.
Durante breve período mal se conseguia ver a água que abraçava o navio, tamanha era a densidade da névoa. Em outros 2 minutos a névoa já havia se dissipado totalmente. Mas isso foi apenas um aviso. Em mais 15 ou 20 minutos veio outra névoa mais densa ainda, e esta permaneceu junto ao navio por umas 4 ou 5 horas. O navio só se libertou de tal ameaça natural durante a noite. Ainda durante a tarde, quando o navio manobrava para deixar o porto de Málaga rumo à Tenerife, nada se via devido a densa névoa que devorava qualquer possibilidade de visão. Por horas navegou cegamente, confiando apenas nas informações que o painel de instrumentos mostrava. A névoa foi se dissipando lentamente, pois não havia vento algum. A falta de vento fez também com que o mar estivesse limpo e cristalino como uma lâmina do mais puro cristal. O céu, a névoa e o mar criavam uma matiz que transitava entre o azul e o cinza, e era impossível discernir o que era mar e o que era céu. E em meio a isto tudo o navio ia rasgando o mar mediterrâneo, até a hora que o sol se pôs e levou embora consigo qualquer resquício de névoa.
Durante a noite do mesmo dia passamos pelo estreito de gibraltar, e pudemos ver algumas luzes no lado africano. O dia seguinte foi inteiro de navegação, e o oceano atlântico estava irritado, jogando o navio para cima e para baixo, para um lado e para outro, fazendo com que alguns passageiros e poucos tripulantes se sentissem mal. Mas o balanço foi relativamente leve, pois objetos em prateleiras não chegaram a precipitar ao chão, nem cadeiras não se deslocaram no chão.
O navio, grande e imponente para qualquer ser humano, mostra-se na verdade fraco e mísero perante o tamanho do mar, oceano e qualquer força da natureza.

3 comments:

Anonymous said...

Nossa, q poético menino!!! hehehe
Boa reflexão!!! De q adianta ter e ser isso ou aquilo se nessas horas percebemos nossa pequenez perante ao mundo...

Q venham muitas e muitas relfexoes!
;) TK

Fornicatore said...

Que vocabulário rebuscado neste post meu amigo. Será que este peito cocacolístico enfim encontrou a força desconcertante do amor? Ou será que a falta de sono te afetou? hUiahIUAhoiuhauiA

Anonymous said...

Meldels... como ta poético...
hauhauhh....
Ta ficando romantico hein...

bjo